Dança e saúde mental: uma aliança imprescindível



Setembro é o mês de campanha de prevenção ao suicídio, uma triste realidade que vem ganhando cada dia mais registros.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, hoje a depressão é a doença mais incapacitante no mundo. Só no Brasil, são mais de 12 milhões de pessoas que sofrem com a doença, que traz muito sofrimento para quem convive com ela e para os que estão ao seu redor.

Durante séculos essa condição foi menosprezada, tanto pela ciência quanto pelo senso comum. Tratava-se de uma “fraqueza”, uma “falta de vontade”, “incapacidade de reagir frente às dificuldades que a vida apresenta”.

Para lidar com a depressão, é preciso compreendê-la verdadeiramente como doença, embora continue sendo ainda muito estigmatizada. E, principalmente, é necessário tratá-la corretamente, com a ajuda de profissionais.

A pessoa com depressão demora um tempo para sair da inércia, mas, por outro lado, é preciso apenas um movimento para dar o primeiro passo e buscar ajuda. Movimentar o corpo é uma das recomendações.

Um estudo da Universidade La Salle, com 265 mil pessoas de 20 países diferentes, revelou que a dança pode ajudar a combater a depressão.

Convidamos Elisabeth Gelli, Psicóloga, Doutora em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), para falar um pouco sobre isso:

“A atividade física tem sido constante e frequentemente associada à saúde mental dos indivíduos, seja na promoção da melhoria das condições mentais objetivas, seja na melhoria das condições subjetivas, como o bem-estar, a vitalidade, o desejo de viver e desfrutar o mundo que os cerca.

Durante muitas décadas, os estados depressivos estavam associados a alguma doença física que requeria o uso de medicamentos, que nem sempre traziam ou mostravam resultados satisfatórios, uma vez que o mundo concreto e social vai muito mais além do que o medicamento pode atingir; ele trabalha com as questões subjetivas, que não são abrangidas pelo medicamento.

É importante situar no tempo que o sentimento de tristeza ou depressão sempre esteve mais associado à mulher que, por décadas, ocupou um espaço de menor importância social. Para o nosso modelo de sociedade, estava bom se ela cumprisse bem com as funções de mãe, esposa e organização familiar e doméstica. Nessa perspectiva é que mulheres em nossa sociedade foram moldadas.

A dança, nesse cenário social, cabia ‘nos salões, aos pares, noivos e noivas, maridos e esposas’. A dança individual não cabia aí. Aliás, meninas e mulheres que se propunham a dançar individualmente chamavam a atenção por sua desinibição, nem sempre bem aceita nesse contexto social.

Mas o desejo de tornar públicos seus sentimentos levou, pouco a pouco, as mulheres à coragem de externalizar essas vontades e sentimentos, mais próprios e profundos, através do corpo, que poderia falar por elas de suas angústias, suas alegrias, suas euforias, seu desejo de exibir a capacidade de usar o corpo e seus movimentos para darem outro sentido à vida.

Aos poucos, durante séculos, apareceram mulheres bailarinas, exemplos de elegância e de belo uso de movimentos, permitindo que mais mulheres experimentassem essa atividade. Por si só libertadora: usar o corpo como forma de expressão de sentimentos e, portanto, de alegrias e dores, aos poucos foi se tornando possibilidade terapêutica, não como medicamentos com hora marcada, mas como parte da vida cotidiana de cada uma, que concretiza uma melodia.”

A psicóloga finaliza:

Um corpo que dói, não apenas como dor física, mas com a dor emocional, ele se revela através da face, pelas rugas que criamos, pelo olhar triste, pelo modo de nos expressarmos oralmente, pelos vincos que vamos criando em torno da boca e dos olhos. Também no restante do corpo esses sinais aparecem: podemos andar mais encurvados, quase como voltados para um pedido de perdão, submissão. São muitas as formas de expressão pelo nosso corpo. Através do nosso andar, podemos agir como que desbravando o mundo ou de forma tímida com receio de um mundo desconhecido que está à nossa frente.”

Em 2018, a Bravo! Ballet participou, como parceira, do Projeto Próximo Passo, um movimento pela vida, que começou com um espetáculo de dança pelas mãos do educador e coreógrafo Ivaldo Bertazzo. O passo seguinte deste projeto foi ampliar este movimento. Criar um impulso para os pacientes que estão com depressão terem motivos para se movimentar, sorrir, dançar. Foi aí que nós entramos, apoiando a causa e oferecendo aulas com descontos especiais para os pacientes, que, aconselhados por seus médicos, comecem a dançar.

Continuamos dizendo: se você tem depressão e o seu médico recomendou atividades físicas como parte do tratamento, fale com nossa secretaria. A depressão tem tratamento e começa a ser vencida com um passo. O próximo passo em direção à vida.​

Por Ana Yazlle

Sócia e cofundadora da Bravo! Ballet



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